por admin

 

A atriz brasileira Leila Diniz (1945-1972) sempre esteve no mundo de maneira libertária e autêntica. Passadas cinco décadas de sua morte, a trajetória de vida e a forte personalidade de Leila, que marcaram e foram referência para toda uma geração tão censurada, são resgatadas e apresentadas ao público em Já que ninguém me tira para dançar, documentário dirigido por Ana Maria Magalhães, uma de suas grandes amigas.

Único longa-metragem sobre Leila, o filme mescla registros de produções audiovisuais, fotos e cenas ficcionais vividas pela atriz, além de entrevistas com personalidades que a conheceram. Já que ninguém me tira para dançar será exibido neste mês em duas sessões na plataforma Itaú Cultural Play: em 15 e 16 de janeiro (sábado e domingo), das 19 às 23 horas.

Confira abaixo seis fatos e curiosidades a respeito do documentário, e também sobre a atriz, em comentários feitos pela diretora ao site do Itaú Cultural (IC).

Imagem em preto e branco de duas mulheres sorrindo e conversando. Estão deitadas e aparentam conversar. Uma usa vestido branco. A outra veste roupas escuras.
Cena de "Já que ninguém me tira para dançar", dirigido por Ana Maria Magalhães (imagem: divulgação)

1.

“Recebi um convite do Luiz Sergio Lima e Silva para dirigir um documentário sobre a Leila Diniz na passagem dos dez anos de seu desaparecimento. Seria exibido na I mostra vídeo Rio, realizada pelo Centro Cultural Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Estávamos em 1982, tempo de insurgência do acesso às novas tecnologias de captação das imagens por meio eletrônico aqui no Brasil. Claro que fiquei entusiasmada. A verdadeira questão para mim foi se eu poderia realizar um trabalho sobre a Leila, por causa da nossa proximidade, tanto do ponto de vista narrativo quanto do ético. Segundo o Luiz Sergio, a família dela teria autorizado caso fosse eu a dirigir. Esse argumento me convenceu definitivamente. Somente no decorrer do processo descobri a razão de realizar um filme sobre a Leila Diniz: a de preservar a sua memória e transmitir o seu legado.” 

2.

“À exceção de uma, todas as entrevistas foram gravadas em 1982, e as personalidades que conviveram com a atriz ainda tinham a Leila muito presente na memória. A pesquisa veio basicamente das minhas lembranças. Quando você viveu no período que irá pesquisar, sabe o que interessa e tem noção do percurso. Mas, claro, editamos em tempos de pandemia; os arquivos estavam fechados ou mais ou menos paralisados. Pudemos contar com alguns profissionais da área institucional, além da pesquisadora Rita Marques e do restaurador Fabio Fraccarolli. Às vezes temos que ser criativos para suprir lacunas de imagens que não encontramos.”

3.

“A Leila foi muito importante porque a sua personalidade libertária e o seu brilho confluíam com o espírito dos anos 1960. Ela promoveu mudanças comportamentais que vieram para ficar, inspirou as mulheres de sua geração, abriu caminho para a revolução sexual e pagou um alto preço por isso. Deixa como legado uma mensagem de amor. Mais do que nunca devemos lembrar Leila Diniz. Seu estilo de vida verdadeiro, amoroso e livre. Falar de Leila é também falar do passado de 50 anos, quando a juventude estava disposta a mudar a sociedade. Não se trata de nostalgia, senão do curso que tomou a história. É sempre bom lembrar.”

4.

“A Leila me ensinou muita coisa em vida – das coisas mais banais às conversas sobre o comportamento feminino diante dos homens. A circunstância de eu ter perdido a minha mãe aos 12 anos, e a diferença de cinco anos entre Leila e eu, me fez tê-la como irmã mais velha. Nós nos cuidávamos mutuamente.”

5.

“[O título do filme] era uma brincadeira de Leila. Quando estávamos no bar, depois de muitos chopes, ela anunciava que ia ao banheiro dizendo: ‘Já que ninguém me tira pra dançar...’. Mas ele tem duplo sentido. E quem assistir ao filme irá perceber por quê.”

6.

Em março, mês em que a atriz completaria 77 anos, o documentário volta a ser exibido na plataforma Itaú Cultural Play. A partir do dia 25, ele integrará uma mostra com produções das quais a atriz participou: A madona de cedro e Corisco, o diabo loiro, de Carlos Coimbra, e O homem nu, dirigido por Roberto Santos.

Veja também