Flup celebra dez anos com programação dedicada à história das mulheres negras
27/07/2021 - 17:28
por Tatiana Diniz
A história de um Brasil até então invisibilizado poderá ser descoberta a partir desta quarta (28/7), quando se inicia o ciclo de palestras on-line Mulheres negras – a história que nos negaram, um convite para viajar ao encontro de personagens que ajudaram a construir nosso país. A programação gratuita celebra uma década da Festa Literária das Periferias (Flup) e será transmitida via YouTube e Facebook da organização.
Veja também:
>>Por aí: Paço do Frevo apresenta duas mestras das culturas populares
>>Conteúdo exclusivo sobre Conceição Evaristo
>>Ativo 090721 | Das pretas
Com a programação, o público ganha a oportunidade de conhecer a trajetória das Congadeiras de Goiás, das Rosalinas do Piauí, de Laudelina de Campos Melo e de Zacimba Gaba, entre outras. As mulheres do nosso passado serão apresentadas por mulheres do presente, que se conectaram através da oralidade, da literatura, da religião e da cultura para lembrar que nossos ancestrais têm nome e sobrenome.
Ao longo desta primeira década de existência, a Flup tem sido uma plataforma de descoberta de novas vozes, como aconteceu com o slam e com o livro Carolinas, que reúne textos de 180 mulheres negras de todo o Brasil.
“Este ciclo comemorativo tem a curadoria de Thais Alves Marinho e Rosinalda Simoni e é a ponta do iceberg de uma rede de acadêmicas negras que resolveram investigar uma história negada a elas próprias, mas acima de tudo ao povo brasileiro, a nós. Orgulhamo-nos de ser o primeiro festival a apresentar a pesquisa que fizeram e, acima de tudo, essa capacidade de articulação delas, mais perfeita tradução para a expressão ‘uma sobe e puxa a outra’ ”, comenta Julio Ludemir, diretor da Flup.
O evento deve atrair os olhares do mercado editorial para essa promissora rede de acadêmicas que escreveram colaborativamente o Dicionário de mulheres negras em trajetória. Além disso, serão feitas homenagens à palavra falada e à escritora maranhense Esperança Garcia.
“A palavra falada, como bem o demonstra o slam, é a mais inclusiva e generosa das plataformas de formação de leitores e autores, uma ágora para a afirmação e o amadurecimento de uma geração de poetas negras com um número e uma qualidade que nunca vimos em nossa história. Já Esperança Garcia foi uma mulher escravizada que entrou para a história ao ousar escrever uma carta para o então governador das Capitanias do Maranhão e do Piauí. Essa carta revela a presença de mulheres negras nas lutas abolicionistas, fez dela a primeira advogada brasileira na medida em que traz todas as características de uma petição e é o primeiro texto produzido por uma mulher negra brasileira, pelo menos que se tenha registro. Entendemos que um festival que pretende dialogar com as periferias tem o dever de descobrir essas cartas e mostrá-las para o mundo”, completa Ludemir.
Serão sete encontros com representantes de sete estados brasileiros. Além de abertas a todos, as mesas servirão de inspiração para os participantes do Slam colegial dentro do processo de formação conduzido pela Flup.
Confira a programação:
CICLO Mulheres negras – a história que nos negaram
(via YouTube e Facebook da Flup)
28 de julho
19h30 às 21h
Mediadora: Thais Alves Marinho | autoras: Tania Ferreira e Rosinalda Simoni | personagens: Leodegária e Maria José
29 de julho
19h30 às 21h
Mediadora: Rosinalda Simoni | autoras: Vania Maria e Renata Tavares | personagens: Vania Maria e Carolina Maria de Jesus
30 de julho
19h30 às 21h
Mediadora: Thais Alves Marinho | autoras: Jhenifer Emanuely e Luciana Dias | personagens: Conceição Evaristo e Laudelina de Campos Melo
31 de julho
15h às 16h30
Mediadora: Rosinalda Simoni | autoras: Janira Sodré e Sandra Monica | personagens: Beatriz Nascimento, Mãe Beata de Iemonjá e Celina
17h às 18h30
Mediadora: Thais Alves Marinho | autoras: Joanice Conceição e Francisca Tainara Eugenio da Silva | personagens: Mãe Obassi e Maria do Socorro Eugenio da Silva
1 de agosto
15h às 16h30
Mediadora: Thais Alves Marinho | autoras: Iraneide Soares, Suzana Hirooka e Glaucia Thais Peclat | personagens: Francisca das Chagas Trindade e As Rosalinas do Piauí
17h às 18h30
Mediadora: Rosinalda Simoni | autoras: Jurema Oliveira e Sacha Faustino | personagens: Zacimba Gaba e Aldyr Fernandes