Este 30 de novembro de 2020 marca o 40º aniversário da morte do músico e poeta carioca Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980). Autor de mais de 500 canções, como “As rosas não falam” e “O mundo é um moinho”, entre outras peças fundamentais da música brasileira, o artista já contava 66 anos quando gravou seu primeiro disco, e morreu seis anos e três discos depois.

A trajetória artística de Cartola, no entanto, começou bem antes disso. Em 1928, por exemplo, aos 20 anos e vivendo no Morro da Mangueira, Zona Norte do Rio, ele integrou o grupo de fundadores da Estação Primeira de Mangueira. Foi Cartola que, entre outras coisas, batizou a escola de samba e escolheu as cores de sua bandeira, a famosa dupla verde e rosa.

Todo esse caminho foi abordado na 31ª edição do Ocupação Itaú Cultural, realizada em 2016 – ano em que se comemorou o centenário do samba. Além de uma exposição na sede do IC, o programa deu origem a uma série de conteúdos on-line: fotos, manuscritos, áudios e entrevistas em vídeo compõem o site do evento.

A página traz informações que abrangem desde a história das escolas de samba na capital fluminense até a poética específica das letras de Cartola – um músico que tinha uma “marca”, como diz Nelson Sargento neste vídeo, que também conta com depoimentos dos cantores e compositores Dalmo Castello, Leci Brandão e Martinho da Vila:

Euzébia Silva do Nascimento, a Dona Zica, é uma personagem essencial da vida e da carreira de Cartola – e a relação entre os dois também é tratada no site. Tanto a relação amorosa quanto a de parceria profissional: no vídeo abaixo, o cantor e compositor Monarco, o maestro e produtor Rildo Hora e a pesquisadora Nilcemar Nogueira, neta de Cartola e Dona Zica, falam sobre o Zicartola, restaurante e casa de shows que o casal comandou de 1963 a 1965. Localizado na região central do Rio, o espaço virou um ponto de encontro de sambistas, universitários, intelectuais e outros grupos, tendo Dona Zina à frente da cozinha e Cartola da programação musical.

O site da Ocupação Cartola ainda traz uma seção em que artistas de diferentes áreas homenageiam o “divino”. Entre esses conteúdos está o vídeo a seguir, no qual a cantora e compositora Juçara Marçal declama “Disfarça e chora”, escrita por Cartola e Dalmo Castello em 1973.

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