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Dizem que o sentimento de receber uma carta de amor é comparável a poucas outras alegrias. O papel guarda a confidência de um afeto e a coragem de dizê-lo. Alguém decide registrar seu amor e dividi-lo com a pessoa amada. Esta, por sua vez, recebe a notícia, mas também uma prova, materializada, de atenção e carinho: alguém dedicou tempo para colocar em palavras, e tinta, o que se passa no coração.

Mas as cartas são espaço para escrever coisas vindas de outras partes também: das ideias, da imaginação. A história da humanidade está repleta de célebres correspondências. Algumas delas têm tanta importância textual que viraram livros. Para citar um dos mais famosos, temos a Bíblia, formada por diversas cartas. O potencial dos textos dessas missivas como criação literária ou comunicação de pensamentos está presente em diversas outras publicações, em autores de variados lugares e momentos da história.

Há também aquelas cartas que a gente, não necessariamente, se alegra em receber: as contas a pagar. As correspondências podem ser usadas como documentos referentes aos mais diversos propósitos da vida prática, adulta, muitas vezes mediando nossas responsabilidades com as instituições ou com a sociedade em geral.

Mas, para marcar um outro exemplo, destacamos que a carta, e cada um dos seus elementos, pode ser espaço também para a arte. Podemos pensar um texto artístico. Ou uma carta sem texto, só com imagens. Uma mensagem codificada, misteriosa. Podemos criar com os envelopes, explorando formatos, cores, estampas e, claro, um item para lá de artístico, além de histórico: os selos, que tanta gente coleciona. O que se chama “arte postal” se vale desses recursos para explorar a arte enviada por correio.

Assim, terminamos pensando que criar uma carta pressupõe a existência de um leitor. Mesmo sem nunca a endereçar, essa potência está guardada lá. Ela revela o poder que temos de nos conectar, de contar as nossas histórias. É a possibilidade de ouvir de quem viveu o que se passou.

Essa habilidade de nos reconhecermos como sujeitos e contadores das histórias que nos dizem respeito é, como pessoas e como cidadãos, uma ferramenta que pode ser muito poderosa de avaliação do passado, presença e construção do futuro.

Ao compartilhar a sua Expedição Brasiliana, da maneira que você a vivenciou e escolhendo como quer contá-la, esperamos que seja possível exercitar essa habilidade.

Até a próxima aventura!

Abaixo, deixamos algumas referências para inspiração:

Cartão-postal;
Lembrança do Rio de Janeiro – Jean-Baptiste Debret, Johann Moritz Rugendas, V. Barat, Araújo, 1832;
Primeiras manifestações literárias;
Pero Vaz de Caminha;
Prospecto do novo Lugar das Caldas (a), estabelecido na margem oriental, e no princípio da primeira cachoeira do Rio Cauaburys, pelo tenente Marcelino Joseph Cordeiro, com mandante da Fortaleza de S. Gabriel: por ordem imediata do Ilmo. e Exmo. Sr. João Pereira Caldas, em carta de 27 de julho 1781; não tendo o governador de funto executado até então a primeira ordem, de 17 de dezembro 1773, ao mesmo respeito;
Cláudio Manuel da Costa;
Carta Autógrafa Assinada.

Confira todos os episódios da primeira temporada da Expedição Brasiliana aqui.

Expedição Brasiliana: construa uma carta de aventuras (imagem: Divulgação)
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