Nos anos 1980, o LP Alzira Espíndola surgiu e, assim, iniciou-se a carreira de Alzira E. De lá para cá, a musicista excursionou pela Europa com Itamar Assumpção, gravou com a irmã Tetê, colaborou com a poeta Alice Ruiz. Um tanto de parcerias ela firmou e, por muito entender de criação coletiva, segue construindo laços: no presente, a cantora é a voz (e o baixo) do grupo Corte, cujo disco homônimo foi lançado em 2017 – trabalho que possui sonoridade experimental, de atmosfera densa, um espaço para improvisação e timbres pouco previsíveis.

Além de Alzira, a trupe é composta de Marcelo Dworecki (baixo e guitarra), Nandinho Thomaz (bateria), Cuca Ferreira (sax barítono e flauta) e Daniel Gralha (trompete e flugelhorn). E é esse quinteto que, no dia 26 de maio, às 19h, se apresenta no Itaú Cultural, fortalecido pela beleza do encontro.

Deve-se ter atitude

“Resolvemos ter uma atitude de banda”, enfatiza Alzira E ao falar do seu projeto atual. Para a artista, é importante deixar claro que ela e os quatro instrumentistas são, a valer, um conjunto. Essa postura faz com que compartilhem tudo uns com os outros: ideias, notas, vivências.

Marcelo Dworecki (integrante do Bixiga 70) é quem idealizou todo o processo: interessado em um som “mais sujo”, com ruídos, propôs a Alzira a elaboração de letras propícias a desconstruções. A intérprete, por sua vez, aceitou o desafio, uma oportunidade que, segundo ela, ampliou os seus horizontes em relação à música, às raízes, a São Paulo (posto que os seus companheiros, nessa jornada, fazem parte da cena paulistana atual). A veterana, aliás, longe de ser nostálgica, acredita mesmo na música brasileira feita agora: “Vejo uma efervescência, vários talentos, compositores maravilhosos. Claro que há aquela música que é puro comércio. Sempre houve. Mas existe, em contrapartida, muita gente legal”, explica a cantora. Em sua visão, a música pertence a um espiral, um movimento centrado no hoje – um hoje que carrega, sim, o passado sem, no entanto, lamentar pelo que já aconteceu.

A única queixa de Alzira, porém, dá-se em razão da perda de um hábito: ouvir um álbum completo, faixa a faixa. “Tenha esse tempo, essa disponibilidade para curtir uma obra inteira”, aconselha. Ouça Beatles. Com atenção. Ouça um estreante. Com atenção. Ouça as letras de Alzira E e dos poetas arrudA e Tiganá Santana. Com atenção. E experiencie o ao vivo, o calor do palco que, no caso do show do grupo Corte, está pronto, lapidado, com projeções de Marina Thomé e a engenharia de som de Bernardo Pacheco. “É tão bom viver isso – ainda mais em um lugar como o Itaú Cultural, que me proporcionou momentos ótimos”, afirma Alzira. E o próximo desses momentos, é certo, já tem data marcada.

Veja também:
>> "Aquilo que Eu Nunca Perdi": documentário narra trajetória de Alzira E


Corte [com interpretação em Libras]
domingo 26 de maio de 2019
às 19h
[duração aproximada: 80 minutos]
Sala Itaú Cultural (piso térreo) – 224 lugares

Entrada gratuita

distribuição de ingressos
público preferencial: uma hora antes do espetáculo | com direito a um acompanhante – ingressos liberados apenas na presença do preferencial e do acompanhante
público não preferencial: uma hora antes do espetáculo | um ingresso por pessoa

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[livre para todos os públicos]

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